CIBERCULTURA

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A Revista Inter-Legere é uma publicação de periodicidade semestral do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Tem a missão de divulgar produções acadêmicas na área de Ciências Sociais e afins, visa o diálogo com as demais instituições; difundir pesquisas; experiências pedagógicas; de extensão universitária e de orientações acadêmicas.


APRESENTAÇÃO DO DÔSSIE CIBERCULTURA

"Época de polegarzinhas (Serres). Época de cabeças fora do pescoço e postas às mãos dos cibersujeitos contemporâneos. Como Ulisses cibernéticos navegamos mares com máquinas e existências liquefeitas. Falamos e amamos avatares como duplos de experiências. Cutucamos perfis de amigos, curtimos fotos, postagens e formamos associações como esferas (Sloterdijk) diádicas, isto é, pares de indivíduos conectados e, ao mesmo tempo, singularizados em seus ambientes virtuais. Somos fusões de corpos com máquinas inteligentes, pois falamos e amamos as Samanthas e conversamos com as Siris e as recomendamos como legítimas outras de afetos.
Fazemos sexo, consultamos o tempo e as horas e, também, nos encantamos pelas vozes e humanidade dos sistemas. Impossível ficarmos sozinhos! Temos o mundo na ponta dos dedos e pela simulação dos sentidos, destacadamente a visão e a audição.
Muitas vezes o que vemos são fantasias de rostos, configurando rostidades (Deleuze) vazias. Nos dizeres do escritor Milan Kundera, a internet é uma imensa multidão sem rosto. Nesta multidão há aqueles que se associam e compartilham iniciativas civilizadoras e solidárias. Agem a partir de uma ética do dom. Trocam conhecimentos e, claro, são remunerados e reconhecidos por isso. Podemos citar iniciativas de hackers que expressam ações dadivosas como antídotos aos crackers, sobretudo em relação à prevenção dos bancos de dados de empresas e burocracias estatais. Recentemente podemos destacar as iniciativas de Julian Assange, do Wikileaks e Edward Snowden, ex-representante da CIA, que quebraram sistemas de informação de alguns países e divulgaram na rede. Se por um lado a internet é potência includente, por outro, também é tribunal de julgamentos do outro.
Linchamentos de trajetórias a partir de postagens que destilam ódios. Como apregoa o rebelde artista Tom Zé, não escapamos ao "Tribunal do Facebook". Mesmo que defendamos a livre expressão na Rede, achamos que a mesma não pode ser um território sem regime de regulamentação jurídica e política. Neste sentido, o Brasil tem assumido o protagonismo mundial com a aprovação do Marco Civil da Internet pelo Congresso Nacional e sancionado pela presidente Dilma Rousseff. Portanto, "deus não está morto" nem podemos empunhar "revólveres" e atirarmos a esmo nos mares cibernéticos. Quem é o outro que nos afeta? Que relações devemos estabelecer com o mundo dos objetos? Que afetos seremos capazes de experimentar? Que política de civilização as redes sociais da internet são capazes de construir? Como polegarzinhas e ou rolezinhos, devemos incorporar de uma vez por todas a cibercultura. Eis o convite que os autores do dossiê fazem a vocês leitores."

Texto do Professor Dr. Alex Galeno, editor-chefe.

Membro da Comissão Editorial da Revista Científica Inter-Legere - PPGCS

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